Eu por muitas vezes idealizei a vida que queria ter, cansei de sonhar acordada, imaginando como seria. É nesses momentos que eu entro em euforia, falando que vou fazer, que vou correr atrás, que vai dar tudo certo. Prometo mil coisas pra mim mesma, que vou mudar, que vou estudar e procurar um emprego, que vou parar de fumar, que vou deixar de sonhar acordada e transformar meu sonho em realizade.
Enquanto essa euforia permanece, continuo disposta, feliz e confiante, mas isso é por pouco tempo. Pouco depois me pego com minha velha conhecida baixo-estima, onde não me sinto capaz de concluir sequer qualquer coisa que tenha começado, foi assim quando decidi aprender a tocar violão, foi assim quando pensei em tocar bateria, foi assim quando sonhei em montar uma banda, também quando queria ser uma jogadora de vôlei, e depois de um tempo por medo de continuar, desisti, foi assim também, quando pensei em ser modelo, via aquelas meninas lindas, magérrimas, e desisti.
Vejo que sempre desisto de tudo, e cada dia que passa, me sinto mais inferior as pessoas. Tenho medo, medo de tentar e quebrar a cara. As vezes acho que eu desisto de um sonho, antes que o sonho desista de mim. Antes que alguma coisa de errado e eu fique mal, eu jogo pro alto, achando que vou me sentir melhor, por ter 'dispensado' primeiro, como se eu estivesse saindo por cima, como se eu quisesse me sentir melhor ou superior.
Mas de tudo, sabe-se que só a mim eu engano. Já não funciona mais essa pose de durona, que aguenta tudo, que faz e acontece. A cada dia que passa eu percebo que eu não sou metada do que digo ser. Que na verdade, eu sou uma criança que chora com medo do escuro, ou de uma porta entreaberta, onde pode ter um monstro do outro lado, ou apenas um jardim. A criança, de fato sou eu, a porta, é a passagem pro meu futuro, tenho medo do que posso encontrar ao atravessar a porta, tenho medo do que me espera do outro lado.
Percebo, que são poucos aqueles que esperam meu sucesso, muitos contam com meu fracasso, e parece que é a esse 'muito' que eu dou alegria. Fracasso, esse sim poderia ser meu sobrenome.
Sou feliz? Em partes, mas quando é em relação à felicidade de outros, a qual eu sou responsavel, está ai mais uma coisa que me sinto incapaz.
Sei, que só eu posso mudar meu destino, só eu posso me mudar e fazer com que as coisas melhorem. "Meu único inimigo sou eu mesma". É, isso faz sentido.
Mas como sempre não me sinto capaz, nem mesmo pra derrotar ou vencer meu inimigo. Não me sinto capaz, pra me vencer, e até então, só encontrei forças pra derrota.
sem mais , por agora.

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